A história a seguir pode parecer fantasiosa ou Jucelino Nóbrega da Luz feelings, mas é totalmente verídica.
Hoje descobri que eu e meu amigo @gustaverson2003 somos OURO MORAL em Cannes! Uma idéia que tivemos na faculdade há 5 anos, ganhou ouro na categoria Outdoor na premiação desse ano. Quer dizer, não fomos exatamente nós que ganhamos o tão sonhado leão, desejado por 3 a cada 2 publicitários da velha guarda.
São Paulo, ESPM, primeiro semestre de 2005, esses dois criativos alunos recebem mais um briefing maluco do Prof. Urbano, na aula de Criação II. Dizia o documento: “Nestlé e Bacardi firmaram parceria e lançarão um produto novo no mercado, o Prestígio ao Rum. Precisamos desenvolver uma campanha publicitária divulgando este novo lançamento.” Deveríamos fazer uma campanha com revista, TV e rádio.

Pois bem, depois de muito brainstorm chegamos em uma linha criativa bem simples, mas de grande impacto, daquelas tipo quebra-cabeça, que você tem que olhar, pensar e entender as peças, porque tem uma piada escondida, uma sacadinha que muitos não percebem logo de cara. O que fizemos foi usar fotos de crianças morrendo de sono,
e usando o Photoshop, pintamos no canto da boca delas e nas pontas dos dedos, restos de chocolate, como se elas tivessem comido o novo Prestígio ao Rum e tivessem ficado bêbadas por isso. A assinatura era “Prestígio ao Rum, proibido para menores de 18 anos”. O filme de TV era um clipe animado com essas mesmas fotos, a trilha sonora era eu tocando uma canção de ninar no teclado e ao final, apenas aparecia a imagem do produto e a assinatura, sem locução. E a peça de rádio era a a música “Chocolate” do saudoso Tim Maia, cantada por nós imitando voz de crianças que ao longo da música iam ficando bêbadas e cantando cada vez mais enrolado até desabar no chão e entrar o locutor, anunciando o novo produto e sua assinatura.
Eis que hoje, 5 anos depois, o mesmo Gustavo me chama no Gtalk e diz: “Velho, olha isso [link]. Veja se te lembra alguma coisa. Ganhou ouro em Cannes!” O link levava para as imagens abaixo:

Pois é. Aí vocês devem estar se perguntando, se a idéia “original” é de vocês, cadê os arquivos pra comprovar? Calma que vocês ainda não ouviram a história inteira. Todas as peças foram feitas usando os computadores e estúdios da faculdade. Gravamos um CD com todos os arquivos e entregamos a campanha para o professor. Eu tinha cópia de todos os arquivos no meu pen-drive/MP3 player, mas ele foi roubado dentro da faculdade. Sim, meus amigos. Um super pen-drive de 256 MEGABYTES (lembre-se, falamos de 2005) era tido como artigo de luxo pelos pobres e economicamente injustiçados alunos da ESPM.
Ok, Pedro. Arquivos roubados, perdidos no tempo, mas vocês têm testemunhas de que fizeram isso, né? Temos! O Prof. Urbano é nossa única testemunha, digo, era, pois ele faleceu.
Enfim, não estou com raiva que “roubaram” nossa idéia e ganharam Ouro em Cannes. Achei o caso divertido, isso sim. Acredito na puta coincidência. A não ser que o ladrão do pen-drive e o autor dessa campanha sejam a mesma pessoa! Aí eu vou cobrar o que é de meu direito. Devolve meu pen-drive, porra!