A Central deixará mais saudades que a Copa

Confesso que mal acompanhei a Copa devido ao ritmo insano de trabalho em que eu me encontrava nessas últimas semanas, mas pelo que vi e ouvi, não perdi muita coisa mesmo. Mas o que eu assisti todos os dias e foi muito melhor que a Copa do Mundo em si, foi a Central da Copa, programa apresentado por Tiago Leifert (e Caio Ribeiro, por que não?). E esse programa só foi tão bom, porque tinha esse “moleque” no comando. Tiago “começou” no Globo Esporte que é transmitido somente para São Paulo, e preciso dizer, o cara era um porre, um chato, um mala, que não levava jeito pra apresentador. Quando ele surgiu mudando o programa de cabo a rabo, dava vontade de arrancar os cabelos e chorar de saudade de Tino Marcos e Glenda Kozlowski atrás da bancadinha burocática mesmo.

Mas com o passar do tempo, deu gosto de ver evolução dele. Hoje eu sou fã do cara! Tiago Leifert deu uma nova cara ao jornalismo esportivo. Esporte é entretenimento e ele fez a Globo trata-lo como tal. Eliminou a bancada de jornal, o teleprompter, o discurso sisudo e inseriu diversão, improviso, sarcasmo, inteligência e hoje colhe os frutos de seu merecido sucesso. Nesse domingo, a Copa se vai, e junto dela, a Central da Copa terá sua última edição. Mas tanto o programa, quanto Tiago deixarão saudades. Aliás, muitos já disseram inclusive que eu e ele temos personalidades parecidas e que Tiago Leifert é um cara que se eu conhecesse pessoalmente, seria um dos meus melhores amigos. Eu concordo. Me liga ae, Tiagão, bora tomar um chopp!

Ganhei um leão de ouro em Cannes

A história a seguir pode parecer fantasiosa ou Jucelino Nóbrega da Luz feelings, mas é totalmente verídica.

Hoje descobri que eu e meu amigo @gustaverson2003 somos OURO MORAL em Cannes! Uma idéia que tivemos na faculdade há 5 anos, ganhou ouro na categoria Outdoor na premiação desse ano. Quer dizer, não fomos exatamente nós que ganhamos o tão sonhado leão, desejado por 3 a cada 2 publicitários da velha guarda.

São Paulo, ESPM, primeiro semestre de 2005, esses dois criativos alunos recebem mais um briefing maluco do Prof. Urbano, na aula de Criação II. Dizia o documento: “Nestlé e Bacardi firmaram parceria e lançarão um produto novo no mercado, o Prestígio ao Rum. Precisamos desenvolver uma campanha publicitária divulgando este novo lançamento.” Deveríamos fazer uma campanha com revista, TV e rádio.

Pois bem, depois de muito brainstorm chegamos em uma linha criativa bem simples, mas de grande impacto, daquelas tipo quebra-cabeça, que você tem que olhar, pensar e entender as peças, porque tem uma piada escondida, uma sacadinha que muitos não percebem logo de cara. O que fizemos foi usar fotos de crianças morrendo de sono,
e usando o Photoshop, pintamos no canto da boca delas e nas pontas dos dedos, restos de chocolate, como se elas tivessem comido o novo Prestígio ao Rum e tivessem ficado bêbadas por isso. A assinatura era “Prestígio ao Rum, proibido para menores de 18 anos”. O filme de TV era um clipe animado com essas mesmas fotos, a trilha sonora era eu tocando uma canção de ninar no teclado e ao final, apenas aparecia a imagem do produto e a assinatura, sem locução. E a peça de rádio era a a música “Chocolate” do saudoso Tim Maia, cantada por nós imitando voz de crianças que ao longo da música iam ficando bêbadas e cantando cada vez mais enrolado até desabar no chão e entrar o locutor, anunciando o novo produto e sua assinatura.

Eis que hoje, 5 anos depois, o mesmo Gustavo me chama no Gtalk e diz: “Velho, olha isso [link]. Veja se te lembra alguma coisa. Ganhou ouro em Cannes!” O link levava para as imagens abaixo:

Pois é. Aí vocês devem estar se perguntando, se a idéia “original” é de vocês, cadê os arquivos pra comprovar? Calma que vocês ainda não ouviram a história inteira. Todas as peças foram feitas usando os computadores e estúdios da faculdade. Gravamos um CD com todos os arquivos e entregamos a campanha para o professor. Eu tinha cópia de todos os arquivos no meu pen-drive/MP3 player, mas ele foi roubado dentro da faculdade. Sim, meus amigos. Um super pen-drive de 256 MEGABYTES (lembre-se, falamos de 2005) era tido como artigo de luxo pelos pobres e economicamente injustiçados alunos da ESPM.

Ok, Pedro. Arquivos roubados, perdidos no tempo, mas vocês têm testemunhas de que fizeram isso, né? Temos! O Prof. Urbano é nossa única testemunha, digo, era, pois ele faleceu.

Enfim, não estou com raiva que “roubaram” nossa idéia e ganharam Ouro em Cannes. Achei o caso divertido, isso sim. Acredito na puta coincidência. A não ser que o ladrão do pen-drive e o autor dessa campanha sejam a mesma pessoa! Aí eu vou cobrar o que é de meu direito. Devolve meu pen-drive, porra!

Conteúdo sempre é melhor que RT e concorra

Era uma sexta-feira qualquer, eu estava chegando do almoço e resolvi dar uma olhada nas notícias do dia antes de continuar o trabalho. Eis que me deparo com esta matéria. Fumaça. Preta. Subterrâneo. A piada já estava pronta e resolvi twittar o link com uma chamada um pouco mais criativa. Aí bastou entrar na home do migre.me pra notar que tive mais RT e mais cliques que muita promoção de RT, o que confirma algo que já digo há muito tempo: promoções de “RT e concorra” são um saco, toscas, estrategicamente pobres, se tornam spam/flood, e geram um falso número de “sucesso” ou “engajamento”.

Me digam, meus queridos analistas de redes sociais, dar RT é engajamento? Nessas promoções, eu garanto que não. Em alguns casos, há mais RTs do que cliques! Os participantes desse tipo de promoção são só preguiçosos sanguessugas, querem ganhar com o mínimo de esforço, e mínimo de esforço significa só querer ganhar alguma coisa e sequer conhecer quem está sorteando, nem visitam o site nem nada. Sucesso? Sua promoção te trouxe mais followers? Legal, mas de diz uma coisa. Aumentou o tráfego no seu site? Suas vendas aumentaram? I rest my case.

Vegan bom é vegan morto

Como se não bastassem as chatices do Dia Mundial Sem Carro, Dia Mundial da Hora do Planeta e afins, hoje descubro que é o Dia Mundial Sem Carne. Aliás, mais um daqueles dias MUNDIAIS que parecem só acontecer no Brasil. No twitter, #DiaMundialSemCarne é top TTBr com milhares de tweets, já #DiaSinCarne tem 24 menções e #MeatOutDay que é o nome original da coisa, tem numerosíssimas 8 menções. Aliás, do twitter é que vieram frases muito boas sobre o assunto e que são exatamente o que eu penso.

Alguém me explica qual o sentido dos vegans criarem o #diamundialsemcarne se para eles todos os dias já são dias mundiais sem carne? Mania irritante que eles e todas as outras minorias (gays, evangélicos, macfags, botafoguenses, etc.) têm de tentar nos converter. Depois essas minorias não sabem porque são tão odiadas. Essas pessoas não se contentam só com respeito. Querem que sejamos iguais a elas. Qual a dificuldade em simplesmente co-existir? Vegan bom é vegan morto, que vira adubo e dá mais plantinhas para seus bichinhos amiguinhos fofinhos comerem e sobreviverem. Mas ok, pra não dizer que eu não contribuí, eu hoje fui a um restaurante, comi um prato de carne e recomendei a todos os meus amigos que fizessem o mesmo. Vamos deixar os restaurantes sem carne!

What The World Needs Now Is Love

“Nossa, que absurdo esse Vagner Love andando na favela com traficantes armados.” Absurdo? Absurdo é a hipocrisia das pessoas, principalmente da imprensa. Que foi? Ficaram incomodados porque ele falou na lata o que todos os outros não falam só pra dar reportagens bonitinhas e politicamente corretas? Vai dizer que artistas globais, cantores, e socialites não frequentam baile funk no morro? E as equipes de TV, quando querem entrar na favela pra filmar alguma coisa ou gringo quer subir na Rocinha pra fazer turismo, quem faz a segurança deles? A polícia? Aham, Cláudia, senta lá.

Pode reparar, sonho de quase todo jornalista esportivo é ser colunista social. Eles falam cada vez menos sobre esporte e cada vez mais da vida pessoal de cada atleta. Não apuram mais notícias, publicam tudo quanto é boato. O sonho de todos eles é ser famoso que nem o Galvão, ser amigo de todos os jogadores, pilotos, cantores etc. Só que se esquecem que ao se tornarem Galvões Buenos, eles não mais serão jornalistas. A imprensa sociedade precisa parar com a chatice, a hipocrisia, o politicamente correto. Precisa é que as autoridades cacem a causa (o bandido) e não a conseqüência (aparecer na foto ao lado de um bandido). Precisa é de mais gente que fale na lata que nem fez o Love. Quer prova maior de que esse discurso politicamente correto é chato pra caralho? O Kaká dá grana pra gente que tá presa e faz lavagem de dinheiro. O Love só foi a um baile funk onde 10 caras armados chegaram pra ele e disseram que iam fazer a segurança dele. Tu ia falar “Não. Não posso aceitar. Vocês são bandidos malvados. Deixa só eu ficar aqui na festa”? Aham, Cláudia, senta lá.